Construí a minha própria aplicação de comunicação

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Hey,

Abomino o Slack. O WhatsApp para trabalho. O email como canal de apoio a clientes. Todas as plataformas que existem para este tipo de comunicação.

Por isso construí a minha.

Esta semana lancei em beta uma aplicação para os clientes do Board.

Para quem ainda não conhece: o Board é o meu produto de acompanhamento individual a empresários. Vagas limitadas, acesso diário a mim, reuniões para articular, discutir, rever, desbloquear. Sou eu a trabalhar diretamente ao lado de cada empresário.

O apoio que dou é específico. A forma como organizo informação é específica. E nenhuma ferramenta no mercado respeita isso.

O email estava a tornar-se insustentável. Confundia-se com outros compromissos. Já tentei várias plataformas. Todas me obrigavam a adaptar o meu processo ao formato delas. E eu recuso-me. Porque no momento em que entro no mundo dos outros, perco o controlo sobre a experiência que quero entregar.

Então tomei uma decisão que há dois anos me teria parecido impossível: construir a minha própria solução. Não uma solução improvisada. Uma aplicação real, com login, com canais, com funcionalidades desenhadas para a forma como eu trabalho. E o que tornou isto possível foi algo que mudou radicalmente nos últimos meses: o custo.

O custo de construir software mudou.

Há dois anos, construir uma aplicação personalizada era um projeto de meses. Uma equipa de dez pessoas e orçamentos que a maioria dos negócios não consegue justificar.

Hoje preciso de uma pessoa.

A velocidade a que se constrói é diferente do que era há três meses. Não há um ano. Há três meses. E tudo isto impacta diretamente o custo de desenvolvimento.

O que significa que empresas que nunca foram empresas de tecnologia podem agora construir o seu próprio software. Personalizado, adaptado aos seus fluxos, sem depender de ferramentas genéricas que servem toda a gente e não servem ninguém como deve ser.

Um dos clientes do Board enviou-me uma sugestão esta semana. Algo que gostava de ter na aplicação. Achei uma excelente ideia. Amanhã vai estar em produção.

O loop entre ouvir, implementar e entregar é de dias. Não de meses. Não de trimestres.

E a velocidade com que corrijo os erros que me reportam passa uma mensagem que vai além da funcionalidade. De querer saber, de reação, de evolução constante. Bons empreendedores querem estar rodeados desse tipo de cultura.

Porque construí em vez de comprar.

A plataforma permite-me fazer coisas que nenhum software genérico permite.

Organizar conversas por assunto, consultar reuniões e resumos de cada cliente, acompanhar métricas em tempo real. Tenho um canal onde partilho informação relevante com todos em simultâneo. Conclusões que eu pago para tirar, passadas diretamente para o lado deles. Valor que antes se perdia em emails dispersos ou ficava preso na minha cabeça.

A aplicação permite criar automações de inteligência artificial que me apoiam. Resumos, reviews, apoio para tarefas repetitivas. Como se eu tivesse um assistente permanente lá dentro. E eu apareço onde faz a diferença.

O item principal do produto sou eu. O meu conhecimento. Os meus erros. Os meus contactos. Mas isso não significa que a oferta tenha de parar aí. E por ser minha, posso evoluir quando quiser, como quiser, ao ritmo que quiser. Sem roadmaps de terceiros, sem lógicas que não são as minhas.

A oferta ficou ainda mais desleal. Não há uma solução no mercado que faça o que esta faz. Porque não foi construída para o mercado. Foi construída para mim.

Dois extremos. Sem meio.

A minha convicção é que a inteligência artificial vai empurrar os negócios para dois polos. O meio vai esvaziar.

Num extremo, os negócios que usam IA para massificar. Volumes enormes, muitos clientes, preço baixo. A disputa é escala, eficiência e dimensão de mercado. Automatizam tudo e servem o maior número possível ao menor custo possível. A qualidade tem de existir, mas o jogo ganha-se no volume.

No outro extremo, os negócios que usam IA como apoio a algo profundamente humano. Menos clientes, preço muito mais alto. Filtros humanos, apoio real e personalizado. A IA trata do repetitivo. O humano aparece onde a diferença se faz. E esse humano vai ter de ser cada vez mais capaz, mais qualificado. Porque se não acrescentar mais do que a máquina, não há justificação para o preço.

Há valor nos dois extremos. Invisto nos dois. Mas o Board está no segundo. A única forma de escalar este serviço é valorizar a oferta.

Não é escala. É valor.

E a tecnologia tem uma vantagem imbatível: o custo de replicação é praticamente zero. Não existe forma mais eficiente de aumentar margem do que com software.

A oportunidade que poucos veem.

Agora imagina esta lógica aplicada a setores que ninguém associa a tecnologia.

Lavandarias. Clínicas de fisioterapia. Mecânicos. Canalizadores.

Meter tecnologia personalizada nestas áreas é desleal. Muito mais do que ser uma empresa de tecnologia a competir com outras que têm acesso ao mesmo conhecimento e às mesmas ferramentas que tu. O mercado não vai desaparecer. Nós não vamos deixar de ter canos. A oportunidade está onde a tecnologia ainda não entrou.

Estas empresas têm processos muito próprios. O software personalizado adapta-se a esses fluxos como nenhuma solução genérica consegue. Tudo aquilo que é repetido duas vezes é uma conclusão do negócio. E devia ser automatizado. O software trata da orquestração: cada pessoa aparece na fase certa do processo e o resto acontece sozinho.

Há cinco anos, este investimento não fazia sentido. Hoje, com um developer e ferramentas de IA, constróis algo personalizado por uma fração do que custava.

Para quem se mexer primeiro.

Isto não é como as outras vezes.

Eu não dizia isto há dois anos. Nem há cinco. Nem há dez. Para quem acha que é sempre a mesma conversa: não é sempre assim.

Esta mudança não é como a digitalização. Na minha opinião, não é sequer comparável à revolução industrial. Quando algo é maior do que a revolução industrial, não há mapa. Ninguém passou por isto antes.

Inteligência artificial. Prostituímos estas palavras de tanto as usar. Mas pára e pensa no que significam. Inteligência: a capacidade de pensar, de decidir, de resolver. Artificial: sem vir de uma pessoa.

É absurdo. O que isto permite e o que isto envolve.

Quem não olhar para estas mudanças e para o que elas permitem no seu negócio vai ficar para trás. Não daqui a dez anos. Daqui a três, vai ser desafiante. Daqui a cinco, inevitável.

As coisas estão a mudar rápido.

Muito rápido.

Abraço,
Luís Diogo