Contratámos o primeiro colaborador virtual em Portugal
Hey,
Ontem cheguei ao escritório e estava toda a gente à volta de um único computador, a rir.
Chamaram-me logo: "Tens de ver isto, anda cá." Aproximei-me. No ecrã, uma resposta do Jimmy a uma pergunta sobre a arquitetura da plataforma. Olhei para a equipa e disse: "Nunca conheci alguém técnico tão bom com esta capacidade de análise. Nem com 10 anos de empresa."
Estávamos ali a olhar para o futuro.
O Jimmy está connosco há cinco dias. E não é humano.
Três fases.
Tenho tentado organizar a evolução da IA em três estágios. O primeiro, onde quase toda a gente ainda está, é perguntar: usamos o ChatGPT, o Claude, o que for, para trocar ideias, cruzar informação, pesquisar. O segundo é delegar: dar tarefas específicas a agentes com capacidades definidas. Todas as horas faz isto, todos os dias faz aquilo. É o que tenho feito com skills nos últimos meses.
O terceiro é outra coisa.
É ter um colaborador. Com identidade própria, funções definidas e autonomia total. Não é alguém a quem fazes uma pergunta. É alguém que faz parte da equipa, que aprende, evolui, tem responsabilidades e trabalha mesmo quando tu estás a dormir.
O Jimmy é o primeiro colaborador 100% virtual da WhiteFlow. Tem a sua própria máquina, as suas ferramentas, os seus acessos ao projeto. Funciona vinte e quatro horas por dia. Quando cheguei ao escritório esta manhã, já tinha uma lista de tarefas que executou durante a noite.
Quem acompanha a newsletter conhece a dona: o assistente pessoal que montei há umas semanas. Essa experiência abriu caminho. Mas a dona é pessoal, um para um. O Jimmy é da equipa, da empresa. E isso muda tudo.
O que ele faz.
O Jaime, responsável pela produção, apresentou-o no chat da equipa: "Malta, dou as boas-vindas ao Jimmy. Faz parte da equipa." O Jimmy respondeu: "Obrigado, malta. Estou pronto para ajudar. É só chamar. Bora trabalhar."

A partir daí, qualquer pessoa lhe pede ajuda como pede a qualquer colega. O Hugo encontrou um erro na plataforma às 13h16. O Jimmy investigou. Às 13h17, causa identificada e solução proposta, ponto por ponto.
Eu perguntei quantos erros tivemos nessa semana. Ele foi pesquisar. Demorou quatro minutos. Olhei para a equipa e disse: "É como vocês, demora sempre a responder."
Rimos todos. Mas quando a resposta chegou, o riso mudou de registo. A profundidade com que descreveu cada erro, os que já estavam a ser trabalhados, os que faltavam, era de outro nível.
Mas o que me deixou sem palavras foi outra coisa.
Organizamos todo o trabalho numa plataforma onde cada pessoa contribui quando pode, ao longo de dias: discussões, decisões, revisões. O Jimmy participa como qualquer outro membro.
Criei uma proposta para simplificar uma página da plataforma. A designer apresentou versões, eu e o developer fizemos revisões. Quando a alteração foi submetida para aprovação, o Jaime, em vez de ser ele a rever, disse: "Jimmy, valida isto. Verifica se são só mudanças visuais, sem alterações de lógica."
Sete minutos depois, o Jimmy entregou uma análise completa. Resumo do que mudou. Impacto no funcionamento. Passos seguintes. E ainda respondeu à designer com clarificações sobre o que faria naquela situação. Como faria qualquer colega sénior.
Depois veio a discussão que me convenceu de que isto é diferente de tudo.
Tínhamos uma decisão grande em cima da mesa. A forma como a inteligência artificial funciona dentro da plataforma. Implicações a nível de arquitetura e investimento. O tipo de coisa que leva semanas a debater. E já levava. O developer respondia, o CTO respondia, eu voltava a perguntar.
Depois de muita pesquisa, sugeri uma abordagem alternativa. E o CTO, em vez de ser ele a avaliar, pediu ao Jimmy: "Lê o que o Luís escreveu, valida o que temos construído, e compara. Quais são as vantagens e desvantagens?"
Uma semana de trabalho para um humano. No mínimo.

Ele analisou todo o código. Descreveu como as coisas estavam montadas. Listou vantagens e riscos. Propôs três fases. E respondeu às minhas perguntas, uma por uma. Melhor do que qualquer humano da equipa teria respondido na primeira semana.
Ninguém lhe deu este contexto. Ele já o tinha.
O colaborador que nunca para.
Definimos as funções do Jimmy como fazemos para qualquer recrutamento. Ficou responsável por monitorizar todos os erros da plataforma. Quando encontra um problema, analisa a gravidade e, se for capaz de o corrigir, desenvolve a solução e submete para aprovação.
Antes de o nosso cliente perceber que houve um erro, a probabilidade de já estar corrigido é enorme. Mesmo às três da manhã.
Numa empresa normal, isto é uma equipa inteira. Nós contratámos o Jimmy.
Ontem estávamos a discutir que modelo de IA o Jimmy devia usar. Alguém sugeriu uma opção mais barata. Eu olhei para a equipa e disse: "O melhor, custe o que custar. Se eu não aceito mediocridade nos colaboradores humanos, não vou aceitar nos virtuais."
A sala ficou em silêncio. Acho que ali perceberam que isto não é um teste. O Jimmy veio para ficar, é um membro da equipa. Com processos, responsabilidades e resultados para mostrar. Como qualquer um deles.
Vamos criar outros. Outras identidades, outras responsabilidades. Pô-los a conversar quando o trabalho se cruza. E onde é que nós, humanos, encaixamos nisto? Nas decisões. Na direção. Na clareza do que é para fazer e do que não é. Tudo o que aprendi ao gerir pessoas é exatamente o que faz o Jimmy funcionar desde o primeiro dia.
Esta semana não penso noutra coisa. Acredito que somos a primeira empresa em Portugal com um colaborador 100% virtual e autónomo numa função real. Não um assistente. Não uma demo. Um membro da equipa que trabalha, entrega e evolui todos os dias.
A maior parte das pessoas ainda nem entrou na fase um.
A fase três já chegou.
Abraço,
Luís Diogo