Já não sei como é que a concorrência faz

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Hey,

Cheguei ao escritório com três funcionalidades na cabeça. Às duas da tarde, as três estavam em produção.

Olhei para o relógio, pensei no que isto significava, e percebi que já não sei como a concorrência faz.

Uma empresa de uma pessoa. A organizar um evento presencial para 60 participantes. Com logística complexa. E, ao mesmo tempo, a construir uma experiência digital que demoraria semanas num modelo tradicional.

Deixa-me explicar como isto é possível.

O problema dos livros físicos.

Há 3 anos que faço um evento presencial onde ajudo donos de negócios a montar o seu processo comercial. São três dias, dez módulos, um passo a passo lógico onde cada decisão desbloqueia a seguinte.

Costumávamos ter livros físicos, um resumo de cada módulo, algo para levarem para casa. Parecia uma boa ideia.

No último evento andei a colar stickers em cima das páginas. Tinha-me lembrado de uma otimização importante e os livros já estavam impressos. Lá fui eu, véspera do evento, a tapar texto com autocolantes.

Ridículo.

Sou obcecado por melhorar produto. O método evolui constantemente. Vender há três anos não é o mesmo que vender hoje. E cada vez que eu melhorava algo, os clientes que passaram pelo evento levavam uma versão antiga.

Então decidi fazer diferente.

Criei uma experiência digital na plataforma onde já tenho o método online. Os participantes do evento presencial vão ter um login próprio. Um roadmap de tudo o que vai acontecer. Os dez módulos. Os resumos. As ferramentas com inteligência artificial que desenvolvemos. As apresentações. Livros recomendados. Tudo dinâmico.

A grande vantagem? Continuo a evoluir aquela interface e toda a gente que passou pelos eventos beneficia, automaticamente, sem precisar de reimprimir nada.

Mas a pergunta que me fazem é sempre a mesma.

Como fazes isto sozinho?

A resposta é simples: a forma como se constrói tecnologia mudou por completo.

Deixei de escrever linhas de código. Passei a orquestrar agentes de inteligência artificial que escrevem o código por mim. O meu trabalho é validar. Validar o plano. Validar a execução. Validar os testes.

Tenho uma ideia, abro o Claude Code, descrevo aquilo que quero e peço-lhe para fazer um plano antes de executar.

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Ele lê todo o projeto, percebe os requisitos, faz-me perguntas e apresenta tudo estruturado. Eu valido, ajusto, mando executar.

Depois da execução, provoco-o a fazer testes. E antes de ir para produção, tenho um agente que faz review de segurança, gera um relatório, devolvo ao primeiro e ele corrige.

Três agentes. Um que planeia. Um que executa. Um que revê. Parece uma equipa. E é.

Três semanas de trabalho tradicional. Numa manhã.

E não falo de qualidade inferior. Os últimos três meses trouxeram uma evolução brutal nestes modelos. O Claude Opus 4.5 em particular. A quantidade de erros é mínima.

Isto exigiu adaptação. Tive de aprender a usar estas ferramentas, repensar como trabalho. Mas o resultado compensa.

Porque isto é desleal.

A minha oferta tornou-se incomparável. Não é arrogância. É matemática.

A velocidade a que consigo transformar visão em implementação é absurda. E quando a experiência do produto é diferenciadora, quando a evolução é constante, o posicionamento muda. Deixas de ser comparável. Defines o que fazes, como fazes, e o preço que cobras.

O conhecimento continua a vir da minha cabeça, anos de experiência, milhares de horas com clientes. A tecnologia entra como facilitador.

Num modelo tradicional, uma conclusão importante demorava dois ou três meses. Agora conseguem lá chegar durante o evento. E não são conclusões piores. São iguais ou melhores.

Os clientes atuais não valorizam tanto porque não sabem como era antes. Mas convido sempre alunos antigos, pessoas que passaram pelo método há dois, três anos. Quando veem como funciona agora, o feedback é sempre o mesmo: surreal.

Ver isto pelos olhos de quem conheceu o antes e o depois eliminou crenças que eu tinha sobre o poder desta tecnologia.

A linha que desapareceu.

A linha que separa uma empresa de tecnologia de uma empresa de educação, de eventos, de qualquer coisa... é quase nenhuma. Somos todos empresas de tecnologia agora.

E quem não estiver a testar isto vai acordar daqui a um ano a perceber que ficou para trás.

Na próxima semana tenho o evento, quarta, quinta e sexta. Ainda existem quatro ou cinco lugares. Quem se quiser inscrever, fala com a Tânia.

Vou continuar a desenvolver até lá. Ainda não atingi os limites.

Abraço,

Luís Diogo