Não entro nas redes sociais desde 1 de janeiro

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Hey,

Não entro no LinkedIn desde o dia 1 de janeiro. Nem no Threads.
No entanto, publico duas vezes por dia em cada uma destas plataformas. Todos os dias. Sem falhar.

A semana passada almoçava com um dos meus sócios. A meio da conversa, ele abre o LinkedIn no telemóvel e diz: "Olha, acabaste de publicar." Eu não fazia a mínima ideia do que era aquilo. Olhei para o ecrã dele e disse: pois foi.

Deixa-me explicar.

Uma das minhas métricas de sucesso para este ano é crescer a audiência da newsletter. Não é vaidade. É estratégia. Quanto maior a audiência, mais valor consigo criar, mais feedback recebo, mais o conteúdo evolui. E eu sei que estou a construir algo diferenciador porque vocês me passam esse feedback e porque as taxas de abertura continuam a subir.

Mas crescer a audiência exige presença. Redes sociais. Publicações constantes. Comentários. Interações. E eu sei que o meu valor não está lá. O meu valor está aqui, nestes áudios, nestas reflexões, neste processo de pensar em voz alta e transformar isso em algo útil para ti.

O dilema é claro: preciso da amplitude que as redes sociais dão, mas não quero pagar o preço que elas cobram.

(Se esta newsletter te traz valor, reencaminha a alguém que aches que vai beneficiar.)

Hoje quero falar-te do que construí para resolver o problema da presença.

A fábrica de conteúdo.

Desenvolvi uma skill que se conecta a uma API de publicação. LinkedIn, Threads, Instagram, X, Facebook. Tudo através de uma única ligação.

A sequência é esta:

Eu gravo um áudio. Este que estás a ler agora começou como um ficheiro de voz. Esse áudio é transcrito automaticamente. Depois, um agente transforma a transcrição numa newsletter. Eu valido. Um editor ajusta. Um revisor corrige. A newsletter fica pronta.

Até aqui, já conhecias este processo.

A novidade é o que acontece a seguir.

Após a newsletter ser enviada, entra um agente que cria short content. Conteúdo de formato curto. Texto. Dez a quinze publicações diversificadas. Diferentes ângulos sobre o mesmo tema. Diferentes estruturas. Diferentes abordagens.

Essas publicações ficam numa pasta do meu second brain, como backlog. Prontas para serem usadas.

E depois entra outro agente. O responsável pela publicação nas redes sociais. Ele olha para tudo o que está no backlog, distribui os temas para não haver repetição em dias consecutivos, e agenda tudo através da API. Duas publicações por dia. Todos os dias.

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Escolhi texto por uma razão prática: é o formato mais escalável nesta fase. E como tudo nasce do meu áudio e da minha newsletter, o conteúdo tem a minha voz. Lê-se como se fosse eu a escrever cada uma daquelas publicações. Porque, de certa forma, fui eu. O pensamento original é meu. A transformação é do sistema.

Porque escolhi não entrar.

Podias perguntar: mas porque não entras lá? Demora cinco minutos.

Não demora cinco minutos. Demora cinco minutos mais vinte de scrolling mais dez a responder a algo que não era urgente mais a sensação de que tens de voltar daqui a duas horas. Eu conheço-me. Sei como funciono. E sei que uma rede social é um buraco negro de atenção disfarçado de ferramenta de trabalho.

Eu sei muito bem onde tenho de colocar a minha atenção. E decidi que a minha atenção está na criação. No pensamento. Na reflexão sobre o que partilhar e como partilhar. Não na distribuição.

A distribuição é um problema de engenharia. E problemas de engenharia resolvem-se com sistemas.

Em vez de uma equipa, tenho agentes. Em vez de otimizar cada publicação, otimizo a fábrica que as produz. O produto não é o post. O produto é o sistema que produz os posts.

O algoritmo que se constrói a si próprio.

E aqui é onde a coisa fica interessante.

Esta semana construí a capacidade de, antes de publicar, ir buscar os dados de performance das publicações anteriores. Impressões, comentários, likes, partilhas. Esses dados ficam arquivados no meu second brain.

O agente que cria as publicações lê esses dados antes de escrever. Percebe quais estruturas funcionaram. Quais ângulos geraram mais ressonância. E adapta.

Um ciclo de feedback automatizado. O conteúdo é publicado. O sistema recolhe os dados. O próximo conteúdo é orientado por esses dados. Qualquer equipa de marketing séria faz isto. A diferença é que eu não tenho equipa.

A eficiência tende a aumentar com o tempo. Só por o sistema estar a aprender.

Mas há um problema que ainda não resolvi.

Se tu comentares uma publicação minha, eu não vou ver. Se me mandares uma mensagem no LinkedIn, eu não vou ler. Porque não entro lá.

E isso é um lado cego enorme. As redes sociais são sobre conexão. Publicar sem interagir é como falar para uma sala sem ouvir as perguntas.

Já estou a trabalhar numa solução. A ideia é criar um agente que extraia todos os comentários, perguntas e mensagens do LinkedIn e do Threads, e me apresente essa informação fora da plataforma. Quero conseguir responder sem entrar. Sem perder a essência de ser eu a responder.

Ainda não sei como fazer isto bem. Mas é o próximo desafio. E se calhar é o mais importante de todos. Porque a tecnologia sem humanidade não vale nada. E eu quero manter essa ponte.

A vantagem composta.

Esta semana saíram dois modelos novos. O Opus 4.6 e o novo modelo da OpenAI. Já os testei. Mais uma vez, o salto é significativo.

Mas o mais interessante não é o salto em si. É o que acontece quando já tens um ecossistema montado. O modelo novo sai e eu não tenho de fazer nada. A qualidade das publicações, das newsletters, das análises, melhora automaticamente.

No evento, falei com dezenas de empresários. A maioria continua presa à era do chat. Copiar, colar, esperar que resulte. Olhavam para mim como se eu estivesse a falar de ficção científica.

Não é ficção. É o que eu faço todos os dias. Mas ninguém nos vai dar isto de mão beijada. O diferencial está em quem executa.

Tenho um número na cabeça: 50 mil subscritores até ao final do ano.

É ambicioso. Mas a estratégia está montada. A fábrica de conteúdo está a funcionar. O pipeline está automatizado. E agora, a fase dois: canalizar a atenção que as redes sociais geram para a newsletter. Transformar impressões em subscritores.

Não sei se vou conseguir. Mas o sistema está desenhado para me dar a melhor hipótese possível. E eu estou a trabalhar para isso. Com foco.

E a próxima peça do puzzle? Depois do evento, criei um setup dedicado para o meu assistente. Uma secretária física na caverna. Um computador só para ele. A trabalhar sem parar. Vinte e quatro horas. Sete dias por semana. O ClawdBot (Ou Open Clawd).

Neste momento está na semana de onboarding. Criou o seu próprio email. Criou as suas próprias contas. Como se fosse um novo colaborador que acabou de chegar e está a instalar-se.

Quando tiver resultados concretos, tens o próximo email.

Abraço,
Luís Diogo