O meu computador trabalha sozinho
Hey,
Enquanto gravo este áudio, o meu computador trabalha sozinho.
Estou aqui a falar para ti e, em paralelo, ele está a executar tarefas que eu lhe pedi. Análises. Cruzamentos de dados. Criação de documentos. Sem eu tocar em nada.
Isto é desleal. Porque o valor que eu pago em subscrições e tokens, por mais considerável que seja, não se compara ao que teria de pagar em salários para ter o mesmo output.
Mas deixa-me explicar como cheguei aqui.
O ChatGPT já não me chega.
Muitos me perguntaram como processo as newsletters e os áudios. E partiram do princípio que uso o ChatGPT ou o Claude. A interface. O chat.
Não uso. Pelo menos, não no sentido tradicional.
Estas empresas são laboratórios de desenvolvimento. A interface que conhecemos é apenas uma forma de falar com o modelo. Mas o verdadeiro valor está no modelo em si. Nos LLMs. E eu posso usar esses modelos sem passar pela interface.
O conceito que mudou tudo
Chama-se second brain.
Antigamente, era um arquivo de pastas onde eu tinha conhecimento categorizado. Notas. Registos. Organização. Usei durante anos. Deixei de usar. Voltei agora, mas com outra visão.
Hoje, o meu second brain é uma pasta no computador. Dentro dela, subpastas: conhecimento. Mini-Nasa. WhiteFlow. Newsletter. YouTube. Cada uma representa uma área da minha vida profissional. E dentro de cada uma, ficheiros. Textos. PDFs. Transcrições.
Parece simples. Mas é aqui que a magia acontece.
Tenho a possibilidade de executar um LLM dentro dessa pasta. O agente passa a ter acesso a toda a minha documentação.
Imagina que digo: "Analisa a estratégia financeira da Mini-Nasa." Ele sabe que falo dessa pasta. Vai lá. Lê os ficheiros. Cruza com a pasta de conhecimento. E devolve-me uma análise.
Não preciso de arrastar ficheiros. Não preciso de copiar e colar. A hierarquia das pastas torna-se fundamental. É como ter um colaborador que conhece o escritório. Sabe onde está cada documento. Não precisa que lhe expliques tudo de cada vez.
E há um truque que amplifica isto. Quando inicio o sistema pela primeira vez, existe um comando que faz o agente ler todo o repositório e criar um ficheiro de instruções. Esse ficheiro explica o que é cada pasta, para que serve, qual a lógica. E vai sempre por trás em qualquer coisa que eu peça.
É como dar um manual de boas-vindas a um novo colaborador. Contudo, este nunca se esquece do que leu.
As ferramentas que uso
Uso duas coisas em paralelo.
Obsidian. Plataforma gratuita, open source, que me permite ver todos os ficheiros organizados. Um bloco de notas em esteroides. Não tem nada de IA, mas é um excelente organizador de arquivos.
Claude Code. Abro o terminal, navego até à pasta do meu Second Brain e escrevo CLAUDE. Automaticamente, abre uma interface desenvolvida para programação, mas que dá um jeitão para isto. O agente tem acesso a todos os ficheiros. Pode ler, escrever, criar, reorganizar. Executar tarefas complexas.
Estas duas interfaces, abertas lado a lado, são o meu setup de trabalho.
Existe uma alternativa para quem não quer usar o terminal: o Cursor. Permite abrir uma pasta e conectar com qualquer modelo. Tem a vantagem de ser mais amigável visualmente. Tem a desvantagem de ser mais uma subscrição.
O exemplo concreto
Vou dar-te o exemplo destes áudios.
Eu gravo um ficheiro de áudio. Peço ao Claude Code para fazer a transcrição. Ele pega no áudio, mas como o ficheiro é grande demais, converte-o para menos de 25 MB. Envia para a API. Recebe o resultado. Cria um documento na pasta correta. Arquiva.
Eu não lhe digo onde arquivar. Ele sabe. Porque existe uma pasta chamada transcrições onde já estão outras. Ele percebe o padrão e segue.
Depois, peço para transformar aquilo numa newsletter. Mas ele não tem só o contexto daquela transcrição. Tem o contexto de todas as anteriores. Registo cada história de transformação. Ele vai buscar conceitos, histórias, partilhas. Há uma ordem cronológica. Um efeito composto.
É como se fosse um colaborador que entrou no dia 1 e está a aprender. A próxima newsletter vai repescar coisas das anteriores. Isso torna aquilo pessoal. Isso torna aquilo poderoso.
O sumo que elaborei no passado influência o resultado futuro.
Porque isto é diferente?
Eu podia pegar no áudio, ir a um site qualquer, pedir a transcrição, copiar, colar num ChatGPT, pedir para fazer a newsletter. Iria funcionar.
Mas não há efeito composto. Não há contexto acumulado. Não há o meu arquivo, as minhas regras, o meu histórico.
Agora imagina isto aplicado a qualquer contexto na tua empresa. Se tenho na pasta finanças todos os reportes mensais, o agente não só consegue analisar o reporte do mês como todo o histórico de evolução. Encontrar padrões no meu comportamento.
E estamos a falar de perguntar num chat. A diferença é o contexto que eu lhe dou.
Superpoderes escondidos.
Outro exemplo para adocicar as potencialidades.
Imagina que um cliente me envia uma página e quer a minha opinião. Tenho um comando que criei com todo o conhecimento sobre conversão. Digo ao Claude Code para analisar o site com base nesse comando.
O que acontece? Ele abre-me um browser automaticamente. Navega até à página. Tira fotografias a toda a página. Mobile. Desktop. Executa a análise com as regras que defini. Cria-me um documento com toda a review.
Posso estar a tomar café enquanto isto acontece. Cinco minutos. Uma coisa que me demoraria horas.
Isto vai além de criar ficheiros. Ele tem capacidade de executar tudo no meu computador. É como ter um processo associado ao agente e dizer-lhe: executa-me este processo.
A liberdade de escolher.
Há outro poder enorme nesta forma de trabalhar. Se eu quiser mudar de modelo, só mudo o servidor. Os meus ficheiros ficam. O meu contexto fica. Tudo fica.
Isto é muito diferente de estar preso a uma ferramenta porque já criei lá tantos projetos que sair é uma dor de cabeça.
Eu não sei qual é o cérebro que vai vencer. Quero usar o melhor. E de manhã, se aparecer um novo vencedor, eu simplesmente ligo esse cérebro e toda a minha capacidade fica ainda maior. Tenho uma organização que me permite adaptar rapidamente.
A verdade é que a área de limite do agente é a pasta. É ali que ele trabalha. E a qualidade da organização determina a qualidade do resultado.
O elefante na sala.
Isto obriga a repensar o trabalho do zero. E essa é a parte desafiante.
Estamos numa fase onde só malta técnica usa soluções destas. Mas 2026 vai ser o ano onde as primeiras pessoas vão começar a mudar como trabalham.
Quando isto for inevitável, e vai ser, adivinha quem já vai estar na linha da frente.
Faz como eu. Vive um pouco obsessivo com isto. Cria o teu sistema. Adapta a tua empresa. Informa os teus colaboradores. Educa-os. Potencia-os.
E aproveita esta oportunidade que é claramente a maior oportunidade que vamos ver na nossa vida.
O meu computador continua a trabalhar sozinho enquanto gravo este áudio.
E isso é apenas o começo.
Abraço,
Luís Diogo