Sentia que andava a comer sushi fraco
Hey,
Recebi duas reclamações. Vou aproveitar este email para resolver o assunto, mas antes quero partilhar um sentimento que perdi há 9 anos. O sentimento de encarar a folha em branco.
Sou arquiteto. Aliás, fui arquiteto durante algum tempo. Durante esses anos um dos maiores prazeres que tinha era começar um projeto do zero. Era-me entregue uma lista de requisitos e um objetivo agradar o cliente cumprindo com os standards do atelier. O desafio era grande, mas a parte mais difícil era sempre chegar a um resultado que me agradasse. Sempre fui uma besta difícil de saciar.
Durante os últimos anos perdi isso. Troquei o desafio da criação em branco, pelo desafio de fazer dinheiro. Ora o segredo de fazer dinheiro está em mitigar o que é arriscado, imprevisível e orgânico escolhendo sempre uma opção equilibrada entre o ganho e a potencial perda. Fazer dinheiro exige sistemas, regras e a dominar a capacidade de diminuir variáveis. Fazer dinheiro é uma seca e tudo certo, sobretudo para quem, como eu, precisava desse dinheiro. Mas sinto-me a comer sushi fraco depois de ter experimentado já sushi do bom.
Não posso fazer nada em relação ao passado, mas o broche que tive que aguentar colou-me, hoje, numa posição de fazer diferente. E foi a minha decisão, fazer tudo ao contrário. Em vez de contratar pessoas, despedi toda a gente. Em vez de usar uma plataforma para enviar e publicar as newsletters, criei uma do zero. Aquilo que facilmente seria uma manhã de trabalho, demorou-me 3 semanas, isto só para conseguir enviar um email. Financeiramente uma péssima decisão, mas intelectualmente uma grande vitória.
Chegar a este e-mail obrigou-me a saber criar um projeto de desenvolvimento, criar um sistema para os utilizadores conseguirem fazer login e quem sabe logout. Ter um sítio para guardar a informação e outro para gerir as versões do projeto. Descobrir que aquilo que funciona no meu pc, pode não funcionar no teu. Tive que enfrentar mais erros e desafios de segurança do que aqueles que eu gostava. Tudo isto para enviar um email.
É aqui que entram as tuas queixas.
“Luís, alguém entrou no teu email e decidiu enviar um email a despedir toda a equipa.”
Não foi ninguém, fui eu.
Email novo, daí a confusão. E se fosse um hacker, achas mesmo que ia desperdiçar tempo com a minha lista? Convencer um dos meus leitores a dar dinheiro dá mais trabalho do que criar uma revista Maria do zero.
Despedi a equipa toda. Fui eu, fica descansado.
“Luís, quero me registar na newsletter e não consigo encontrar nenhuma página para o fazer.”
Agora já podes.
Entras no site e tens um título e um campo para registar o teu email. Não tens design, nem nenhum fluxo elaborado. Tens uma fonte escolhida com carinho e um sistema que funciona. (espero eu)

Por isso não tens desculpas para não partilhar a newsletter, podes copiar o link (https://www.superh.io/) do site e partilhar com quem quiseres.
Eu sou péssimo ouvinte, mas ávido leitor. É por isso que eu gosto quando vocês partilham comigo o que vos vai na cabeça. Porque me dão uma oportunidade de resolver mais um problema de uma forma única e com utilidade. Continuem a encarar a newsletter como se fosse o portal da queixa
E essa é a verdadeira razão de ter começado o projeto com uma folha em branco. Sei que quero documentar a transformação do meu negócio para ver um negócio de IA, mas não faço ideia da melhor forma de fazer chegar a informação ao teu lado. Se o produto é a interface da plataforma do SuperHuman não posso otimizar para velocidade, tenho que otimizar para qualidade e liberdade.
Nota 1, comecei a programar há menos de um ano, tenho as minhas limitações. Vai com calma.
Nota 2, "Luís, o que é o superhuman?" Para já é um nome. Qualquer dia acordo inspirado e dedico-me a escrever sobre a origem e visão do projeto.
Abraço, com sorte ainda recebes outro email esta semana. Agora que consigo enviar.