Trezentas leads, zero euros
Hey,
Trezentas leads numa semana. Sem equipa de marketing. Sem agência. Sem designer, sem copywriter, sem developer. Sem gastar 1€ em anúncios.
Dia e meio de trabalho. Sozinho.
É um caso de estudo. E quero abri-lo por completo.
No evento de janeiro, vi dezenas de empresários a criar soluções com IA sem perceber as implicações reais. Ferramentas montadas em cima de entusiasmo. Sem testes. Sem dados. Sem validação no terreno.
Recuso-me a recomendar o que não testei. Sempre fui assim. Antes de ensinar, antes de mostrar, antes de abrir a boca, preciso de meter as mãos na massa e tirar as minhas próprias conclusões.
Então decidi fazer um teste completo: construir uma calculadora, levá-la ao mercado e medir o impacto real.
Passo 1: A escolha da dor.
As calculadoras são uma ferramenta antiga de captação. Geram confiança e dão valor antes de pedir algo em troca.
Eu queria criar a minha. Mas não sabia para que dor. Em vez de escolher com base no instinto, pedi à IA para validar antes de eu construir o que quer que fosse.
O agente mapeou cerca de quarenta dores possíveis do meu público-alvo. Quarenta.
Lancei vários agentes em paralelo. Cada um foi pesquisar uma dor específica. Leram comentários, reviews, threads no Reddit, fóruns. Três horas depois, tinha um relatório com cada dor pontuada de 1 a 10 em urgência e potencial.

A vencedora: "Será que cobro o preço certo?"
A frustração de saber que deviam cobrar mais e não conseguem. Muita procura. Muita dor. E uma oportunidade clara de eu ajudar com o que sei.
Inverti a lógica habitual e validei antes de construir. Três horas de pesquisa contra semanas de trabalho desperdiçado.
Passo 2: A lógica.
Já sabia o tema, agora precisava da estrutura. Disse ao agente para ler toda a base de conhecimento do meu negócio (o método que ensino, as dicas que dou aos clientes, os tópicos que fui acumulando ao longo dos últimos anos) e propor uma estrutura completa para a calculadora.
Construiu o documento inteiro: dezanove perguntas, categorias de análise, fórmulas de pontuação, níveis de maturidade da oferta. Perfeito à primeira? Não. Mas a base estava sólida. Refinei as fórmulas, calibrei a pontuação e pedi-lhe para fazer benchmark ao mercado português para validar se os números faziam sentido. Tudo com instruções em puro português, sem escrever uma linha de código.
Passo 3: A construção.
Há quatro anos, construí uma ferramenta semelhante. Dois meses. Dois developers. Orçamento considerável. Desta vez, abri a plataforma da Mini-Nasa e disse ao agente: cria uma área nova, usa o design system que já existe.
Ver o resultado final da calculadora »
Construiu páginas, interações, base de dados. Limei o design e passei a maioria do tempo na página de resultados: criei níveis para pontuar a oferta da pessoa em vários graus de especialização, melhorei o score que a calculadora apresentava e ajustei tudo até o resultado ser útil. A página de resultados é onde a confiança se ganha ou se perde.
E depois tomei uma decisão que a maioria não tomaria.
Não bloqueei o resultado com um pedido de email. A pessoa responde às dezanove perguntas e recebe o resultado completo, com três dicas concretas de como melhorar o seu preço. Sem pedir nada em troca.
Mas eu tenho informação rica sobre o contexto daquela pessoa. Então criei uma proposta: se colocar o email, recebe dez dicas personalizadas geradas por IA. Construí um superprompt que analisa todas as respostas e dá recomendações específicas de posicionamento. As diretrizes desse prompt vêm do meu conhecimento pessoal, daquilo que ensino e pratico há anos. O resultado é um email personalizado com o score da calculadora e dez recomendações únicas para aquela pessoa.
A pessoa dá-me o email. Recebe algo que normalmente só teria numa sessão de consultoria paga. Troca justa.
Passo 4: O vídeo.
Ferramenta pronta. Falta fazer chegar às pessoas.
Disse ao agente: com base na calculadora e nas boas práticas de vídeo que tenho documentadas, cria-me três scripts para Instagram. Ele já conhece o meu tom. Escolhi um. Teleprompter. Gravei. Publiquei.
O fluxo final: a pessoa vê o vídeo, comenta, recebe o link por mensagem direta, faz a calculadora, deixa o email, entra no CRM. O processo comercial arranca sozinho.
Resultado: mais de trezentas leads em menos de uma semana. Estou habituado a pagar 17 euros por lead. Isto foi uma fração disso.
Passo 5: O Newton.
Podia ter ficado por aqui. Não fiquei.
Quem acompanha a newsletter conhece o Newton. Nasceu como agente de conhecimento na plataforma, mas agora dei-lhe um papel diferente: Comercial no Instagram. Após a pessoa receber o link da calculadora, o Newton abre conversa. Digo logo que é um agente de IA, sem mascarar nada. O objetivo dele é um: marcar reuniões com a Tânia.
E marca. A média é de nove mensagens por conversa, personalizadas e direcionadas ao contexto de cada pessoa. Algumas nem percebem que falam com um agente, mesmo após eu ter dito explicitamente.
Não sei se isto é o futuro. Mas está a funcionar hoje.
Pesquisa de mercado, validação, lógica, construção, promoção, agente comercial. Dia e meio. Num modelo tradicional, isto exigia quatro meses, uma equipa multidisciplinar e orçamento a condizer.
E há um bónus que não estava nos planos: tenho agora mais de trezentos preenchimentos de negócios portugueses com respostas detalhadas sobre oferta, preço e dificuldades. A ferramenta melhora com cada pessoa que a usa, e eu fico com uma leitura do mercado que mais ninguém tem.
Trezentas oportunidades. Sessenta lugares no evento. Pipeline cheio.
A maioria continua a debater se deve usar IA para escrever emails. Enquanto isso, é possível montar um fluxo comercial completo num dia e meio. O valor não está na ferramenta. Está no cruzamento entre o que tu sabes e o que ela te permite construir.
Eu pus. E os números falam.
Abraço,
Luís Diogo