Uma empresa de 10 pessoas
Hey,
Acordei cedo. Abri o email. Uma mensagem de um cliente: "Falta-me a transcrição da reunião."
Nada grave. Tinha-me esquecido. A reunião foi ao final do dia, fui para casa com os miúdos, no dia seguinte já estava noutro problema e aquilo passou.
Mas fez-me refletir.
Não quero voltar a receber emails destes.
O problema por trás do problema.
Tenho um produto onde faço acompanhamento individualizado a empresários. Funciona como um board: ajudo-os a decidir, a pensar, a definir roadmap.
O processo exige trabalho. Reuniões. Transcrições. Resumos. Atualização do ponto de situação. Email para o cliente. Arquivamento.
Dava para automatizar, mas as soluções que existem não seguem a minha lógica. Ao longo dos anos, desenvolvi uma forma específica de trabalhar. É isso que tem valor.
Então decidi: vou criar uma skill para resolver isto de uma vez.
O que é uma skill?
Já falei várias vezes das ferramentas do Claude Code. Há três elementos fundamentais.
Commands. São templates de prompts. Crio na pasta commands, uso com barra em qualquer contexto. Simples e útil.
Subagentes. Especialistas que trabalham ao lado. Um para email, outro para design, outro para apresentações, ... Posso invocá-los em qualquer tarefa, até em paralelo.
Skills. A melhor forma de pensar nelas é como uma pasta comprimida com instruções, exemplos, código, etc... O agente executa essa skill como um superpoder.
A diferença? O subagente é como mandar um colaborador fazer uma tarefa. Ele vai, faz, e devolve-te o resultado. Não sabes o que aconteceu pelo meio.
A skill é diferente. É o próprio agente que executa. Fica com a memória de tudo o que fez. Pode usar esse contexto nas tarefas seguintes.
Por isso já não uso subagentes. Só skills.
A construção.
O objetivo era simples. Colocar uma transcrição e o sistema fazer várias coisas automaticamente: resumo à minha maneira, arquivar na pasta do cliente, criar draft de email, considerar todo o histórico, mover o vídeo para o Google Drive. A única coisa que eu faria era colar a transcrição. A skill tratava do resto.
Disse ao Claude o que queria. Mas havia um ponto determinante: a conexão com o email. Abri uma nova conversa: faz-me uma pesquisa sobre MCPs para ligar ao Gmail.
MCPs são a funcionalidade que permite aos agentes trabalhar com outras ferramentas. Trouxe três soluções. Recomendou uma. Disse-lhe: valida a segurança dessa ferramenta. Abriu o repositório. Leu o código todo. Avaliou o criador. Voltou com um relatório: há riscos de segurança, a pessoa não tem histórico sólido.
Sugeriu a segunda opção. Fez a mesma análise. A diferença de segurança entre as duas era abismal. Não abri os repositórios. Não abri os sites. Instalei o mais seguro. Instruiu-me passo a passo. Fiz o que mandou. Validou a conexão. Feito. O agente já tem acesso ao Gmail.
Voltei à conversa da skill. Uso sempre o modo plano quando construo algo assim. Disse: faz-me as perguntas que precisares para teres um plano completo. Fez várias perguntas. Respondi. Finalizou o plano. Perguntou se queria executar. Executa.
No fim: a skill está criada. Queres colocar uma transcrição para validar? Peguei na transcrição do cliente que me tinha enviado o email. Colei. Executou.
Fui avaliar. Havia inconsistências. O Gmail não lê markdown, tem de ser HTML. Não corrigiu pontuação. Dei-lhe as nuances e pedi para ajustar. E este é o poder. A própria skill aprende e para atualizar é só dizeres ao agente o que queres atualizar.
Executou. E malta 😂. Incrível.
O resumo do cliente. A clareza sobre os próximos passos. A indexação com o histórico. O ficheiro no Google Drive na pasta certa. Olhei para o draft do email. Li tudo, porque há responsabilidade sobre aquilo que envio. Ajustei uma palavra. Uma.
O que isto significa.
Daqui para a frente, acabo uma reunião. Colo a transcrição. Ele desencadeia um procedimento que demora dois, três minutos para ele, zero para mim. Coloca todos os emails em draft. Numa altura qualquer do dia, valido, fecho, envio.
Resolvi este problema em menos de 40 minutos.
Não estou a brincar quando digo que a minha capacidade produtiva multiplicou por não sei quantas vezes. Neste momento sou uma empresa de 10 pessoas. E nem sequer estou a levar isto aos limites do possível.
Estamos a viver uma fase inacreditável. Cada vez que executo algo assim, fico a perguntar: o que vai ser isto daqui a um ano?
Estamos em janeiro. Em dezembro isto vai ser totalmente diferente.
Abraço,
Luís Diogo